A casa no alto da colina
Ela se levantou pela manhã naquela casa
fria e vazia, passou a mão pelo lado esquerdo da cama e lembrou-se que estava
dormindo sozinha, do mesmo modo que dormia a meses depois dele partir.
Virou-se na cama ficando olhando para o
teto alto e cheio de desenhos abstratos, sentiu sozinha mais uma vez, dessa vez
uma angustia tomou conta do seu coração.
Criou coragem, levantou se da cama
colocou a cobertura de sua roupa debaixo, caminhou até a janela grande e
antiga, olhou através do vidro empoeirado. Lá fora notara como o tempo estava
nublado e não conseguia ver adiante, do outro lado das colinas cheia de
crepúsculos.
Sentou na beirada da janela grande, e lá
ficou durante uns cinco minutos, olhando seu jardim grande e cheio de rosas de
diversas as cores, de lá também poderia ver a entrada do casarão, um portão
velho, alto, cheio de ferrugem por causa do tempo frio la nas colinas, e sabia
que apenas olhar não o faria voltar, ela sabia que mesmo que fizesse algo, ele
não voltaria.
Se levantou da beirada da janela e
caminhou até a porta do quarto, abriu, caminhou pelo extenso corredor do
casarão, escuro e ligeiramente assustador. Chegou até as escadas compridas,
segurou no corrimão e desceu lentamente arrastando a cobertura de sua roupa
pelo chão, deu voltas no salão de entrada tocando nas plantas e cheirando-as,
sorria ao sentir o cheiro delas.
Parou diante da porta de entrada, abriu-a
e seus olhos cegaram ao ver o imenso clarão que vinha do lado de fora, desceu
as escadas velhas e sujas, andou descalça até a fonte que já não saia mais
água, sentou –se na beirada dela, tocou em todas as partes que aquele momento
lhe permitirá, olhou tudo como nunca havia olhado antes, levantou-se e caminhou
até o portão velho e emperrado, abriu, sem fachá-lo continuou a caminhar até
chegar a um penhasco alto logo a frente de sua casa, ficou parada a frente
dele, olhou lá para baixo, olhou a sua frente, e finalmente olhou para o céu,
sussurrou algo que apenas ela e os espíritos poderiam ouvir, e quando não
esperava mais nada da vida, jogou-se estatelando-se na água fria que rodeava sua casa no alto da
colina.
L. C. Medeiros
